terça-feira, 13 de outubro de 2009

Mimos!!!

Ontem recebi mimos directamente chegados de Portugal. Mimos sob a forma de BRIGADEIROS!!!

Como diria minha Mãe: "Souberam-me pela vida..."




Estavam maravilhosos!!! Doces, a derreterem-se, carregados de carinho e saudade!!!





A minha Mãe já tinha enviado um postal e um envelope com umas lembranças da Igrejinha... Os queijos, ainda estou na expectativa que cheguem... Mas, provavelmente, terão ficado "retidos" na alfândega!!! :D

Sabe muito bem estar aqui e receber estes mimos...

Tu Babe, és a MAIOR!!! ;-)))

domingo, 11 de outubro de 2009

Pous-Pous


Os Pous-Pous são uma das marcas da cidade. Podem ser avistados por todo o lado e são um meio de transporte de mercadorias constituído por um eixo com duas rodas e uma caixa de metal em cima, com uma barra de ferro de cada lado.

Os Pous-Pous circulam como um veículo normal, no meio do trânsito, e para além do esforço físico, ainda correm o sério risco de levar um "toque" de um veículos que passam a seu lado.





Segundo sei, a maioria dos carregadores de Pous-Pous são oriundos da República Democrática do Congo e há verdadeiros "impérios" de Pous-Pous, com alguns comerciantes a possuírem dezenas deles para uso próprio e aluguer.

Podem-se ver as maiores proezas de transporte em cima de Pous-Pous, coisas mesmo quase inimagináveis... Quer em termos do esforço físico envolvido, quer em termos dos malabarismos de equilíbrio que se podem observar, como é exemplo o transporte deste conjunto de cadeiras de plástico:




Aqui, as cadeiras e as mesas de plástico alugam-se para festas, sendo transportadas, num equilíbrio quase miraculoso, em cima de Pous-Pous. As cadeiras de plástico existentes aqui na República do Congo têm uma particularidade: normalmente, no plástico da parte interior das costas, têm uma inscrição de carácter religioso. "Jesus é o Senhor", "Confio em Jesus", etc... Também os Pous-Pous são marcados pela religião, apresentando inscrições do mesmo estilo.

Os Pous-Pous são essenciais para a cidade, pois desempenham uma função social importante na recolha do lixo urbano, que se não fosse desse modo, ninguém recolheria.




Os residentes de determinado local, pagam aos carregadores de Pous-Pous para recolherem o lixo, substituindo-se aos serviços municipais, nomeadamente na limpeza de sarjetas, essenciais para o escoamento das águas das chuvas torrenciais, que ciclicamente afectam a cidade.




A mim, parece-me que a existência dos Pous-Pous é uma das provas do imediatismo do pensamento local , pois os eventuais animais de carga são todos transformados em alimentos. Até agora no Congo não vi qualquer animal de carga, nem cavalos, nem bois, nem burros, nada... :(

sábado, 3 de outubro de 2009

Rio de Sangue


"Quando Tim Butcher anunciou que ia partir para uma aventura ao coração (fragmentado) de África, quem o ouviu não deixou de manifestar o seu receio e deixar avisos para que voltasse atrás na decisão.
Porém, inspirado pelas explorações do Dr. Livingstone bem como por histórias que ouvia da mãe, que viajara pelo Congo nos anos 50, Tim Butcher parte mesmo para esse lugar que todos achamos que não pode existir, não devia existir, mas que existe e é chocante.
Seguindo os passos de Henry Morton Stanley, o jornalista-aventureiro britânico, Tim Butcher parte assim, sozinho, na sua moto, levando apenas consigo uma piroga e 4.000 dólares escondidos nas botas.

Foi confrontado com um país “subdesenvolvido”. Deu de caras com um lugar com mais passado que futuro e onde os raros trechos de asfalto são usados não para o trânsito de veículos mas para afiar facões. Demorou 44 dias a percorrer 2.011 km.

Passou por uma aldeia onde a sua Yamaha foi recebida como o primeiro veículo motorizado em 20 anos. Pelo caminho, em que a floresta - e não as cidades - oferece o refúgio mais seguro, deparou-se com homens armados e esqueletos por enterrar.

Passou também pelo porto de Ubundu, onde Humphrey Bogart e Katharine Hepburn filmaram "Uma Aventura na África" em 1951. Naquela época era um local encantador e o único conflito era para conseguir um quarto com sacada. Hoje, mesmo após o chamado acordo de paz, é uma cidade vazia tomada pelo medo, e Butcher teve de partir à pressa…. Afinal, estava num dos países mais perigosos da Terra."


http://www.portaldeliteratura.com/livros.php?livro=4544

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Oyo - Mais Fotos

O Chapéu do Monsenhor em Lefini

Baloiço à moda de Oyo



Uma "Bolsa" de Selva junto ao Aeroporto de Ollombo



Rio Alima, Praia do Presidente






Estrada em Lefini

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Uma dose de realidade...








Sem comentários...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

As Villages

A estrada até Oyo é acompanhada pela existência de diversas pequena Villages.



As Villages são pequenos povoados que ocupam uma faixa de 15 a 25 metros de ambos os lados da estrada, cuja única rua é a própria estrada, sendo as casas dispostas à volta de um terreiro de terra batida.



A construção das casas tem por base uma estrutura de madeira, de forma paralelipipédica rectangular, preenchida por barro e cobertas por folhas de árvore.




Nenhuma destas Villages tem luz, água ou saneamento básico e são "governadas" por um Soba (chefe tribal).



A Economia regional e a alimentação têm por base a Mandioca. Não se vê qualquer oficina, industria e mesmo a agricultura e a pecuária são extremamente incipientes. Os únicos animais que avistei foram algumas galinhas e cabras, e mesmo estas espécies são de muito pequeno porte, bastante diferentes das existentes em Portugal.


A agricultura parece ser exclusivamente dedicada à produção de mandioca. A Mandioca tem como principal característica não dar trabalho nenhum, basta plantar! E independentemente de ser de baixo valor nutritivo e de não ter qualquer sabor, o facto de não dar muito trabalho faz com que domine completamente a produção agrícola desta região de África.

Seguindo as técnicas agrícolas ancestrais, e com vista à preparação dos terrenos para a plantação da mandioca, ao longo da estrada vêem-se inúmeras queimadas, cujo cheiro é prolongado e intensificado pelo elevado grau de humidade da região.




Todas as aldeias têm um nome. Os nomes das aldeias vão desde nomes locais, a nomes da família do Soba dominante ou mesmo nome de países e cidades do mundo (Italy, Paris ou Ottawa são alguns dos nomes que decorei).

Para lá destas aldeias há uma imensidão de terreno praticamente inexplorada, de natureza no seu estado mais puro e facilmente se confirma que a Republica do Congo é um dos países com mais baixa densidade populacional do mundo. A Republica do Congo tem cerca de 8,5 hab./Km2 176º do mundo (Em 192 Países), por comparação, Portugal fica em 64º com cerca de 118 hab./km2.




Ou seja, aqui está-se muito mais "à vontade"... Mas "à vontade", não é "à vontadinha"... ;-)))

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Oyo

Na 6ª-feira fui surpreendido por um convite do Engº Suzano para o acompanhar a Oyo.


Oyo fica cerca de 400 km's a norte de Brazzaville e é muito perto da cidade de onde é natural o Presidente da República do Congo, Denis Sassou N'Guesso.


Ver mapa maior

Embora a uma escala menor, tal como Gbadolite, na vizinha República Democrática do Congo (Ex-Zaire), beneficiou do facto de lá ter nascido Mobutu Sese Seko, também a região de Oyo tem beneficiado com o facto de ser o local de nascimento do Presidente actual. A vila tem sofrido continuas melhorias e a cerca de 5 km's foi construído o Aeroporto de Ollombo.

O Aeroporto do Ollombo tem uma pista de 3,2 km's e capacidade para aterrar um Boeing 747 e serve apenas uma pessoa... O Presidente. Presentemente está a ser construida uma gare aérea enorme...



A viagem até Oyo permite constatar que, nesta região, o pais se desenvolve numa faixa de cerca de 25 metros de cada lado da estrada. Depois disso, para cada lado da estrada, estende-se uma imensidão de território completamente desabitado. Um factor que achei surpreendente, mas que dizem ser normal, foi o de não ter avistado qualquer animal, a não ser pequenos animais domésticos. São quilómetros e quilómetros de estrada sem que se aviste qualquer tipo de vida selvagem.







Pela primeira vez senti a imensidão das dimensões do terreno em África. Tudo é longe, tudo é grande, tudo é vasto e tudo parece verdadeiramente selvagem... A paisagem começa por ser marcada por uma savana baixa que se vai adensando e transformando em selva conforme se caminha para norte. Selva propriamente dita, só existe de Owando para norte mas na região de Oyo já há bolsas de selva perfeitamente impenetrável.



Oyo é atravessada pelo rio Alima (Afluente do rio Congo), fica um grau abaixo do Equador (equivalente a pouco mais de 100 km's) e tem um clima marcadamente quente e húmido, por volta das 21h30 estavam 37º e 95% de humidade...










Foi uma viagem muito interessante e à qual irei dedicar alguns posts durante a próxima semana.




Um sincero obrigado ao Engº Suzano. ;-)))